Em uma frasea autoetnografia é um método reconhecido que usa a experiência do próprio pesquisador, e serve para gerar hipóteses, não para provar que algo vale para todos.
Nossa tese se chama A Epistemologia da Ferida. Ela abre dizendo que apresenta "um estudo autoetnográfico longitudinal (N=1)" de dezessete anos, entre 2008 e 2025. O termo é legítimo: autoetnografia é um método qualitativo que usa a experiência do próprio pesquisador para iluminar fenômenos culturais e sociais mais amplos.
A literatura distingue duas correntes. A evocativa, de Carolyn Ellis e Arthur Bochner, privilegia a narrativa pessoal e rejeita a sistematização teórica abstrata. A analítica, de Leon Anderson, propõe ligar o relato pessoal a análise e construção de teoria. Uma revisão de 2016 lembra que a vertente evocativa se tornou dominante, mas que pode ser enriquecida por métodos analíticos.
Uma síntese de 2023 aponta benefícios e limites. Entre os benefícios estão o relato de dentro, que revela mundos que a pesquisa externa não alcança, e a reflexividade. Entre os limites estão a subjetividade, descrita como "profundamente subjetiva, porém sistemática", as questões éticas de escrever sobre si e sobre os outros, a dificuldade de generalizar a partir de uma única pessoa e o risco de autocentramento.
A leitura do O.I.N.O.R.
Esses limites ajudam a medir a nossa tese. Ela é, em boa parte, evocativa e conceitual. O rótulo "longitudinal" pede, para ser tomado como tal, registros datados que o texto não apresenta: não há diários, medições ou eventos documentados por período, apenas uma divisão em fases. A tese não afirma generalidade, mas sua conclusão fala de um "protocolo unificado para o sujeito moderno", e isso é uma generalização que o método não autoriza.
Como relato, uma autoetnografia tem uma força que nenhum estudo de grupo tem: mostra a experiência por dentro. Como prova, tem o limite de ser um único caso, narrado pelo próprio. A tese ganha se se apresentar pelo que é, um testemunho analítico que gera hipóteses, e perde quando chama o testemunho de protocolo. Essa distinção é pequena na forma e grande na honestidade.
Nota de rigor. não auditamos a biografia do autor, que é relato pessoal. Avaliamos apenas as afirmações que podem ser conferidas fora dela.
Fontes
- Montagud Mayor, X. (2016). Analytic or evocative: a forgotten discussion in autoethnography. Forum: Qualitative Social Research, 17(3)
- Tarisayi, K. S. (2023). Autoethnography as a qualitative methodology: conceptual foundations, techniques, benefits and limitations. Encyclopaideia, 27(67)
- Bellato, T. The Epistemology of the Wound, out. 2025 (tese do O.I.N.O.R.)
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