Importante. este texto é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.
Em uma fraseestudos grandes encontram mais bem-estar e menor mortalidade entre quem frequenta serviços religiosos, mas são estudos de associação, que não provam que o culto seja a causa.
O Global Flourishing Study, coordenado pelo Programa de Florescimento Humano de Harvard e coletado pelo Gallup, acompanha mais de 200 mil pessoas em 22 países, em amostras nacionalmente representativas. O artigo principal saiu na Nature Mental Health, numa coleção especial de 30 de abril de 2025. Quem frequenta serviços religiosos com regularidade relatou um florescimento "consideravelmente" maior, padrão que se repetiu entre países, e a frequência na infância também previu o florescimento na vida adulta.
Os próprios autores avisam que as análises são descritivas, não causais, e que as respostas são autorrelatos, que podem ser interpretados de modo diferente entre línguas e culturas.
Outro trabalho, publicado em 2016 na JAMA Internal Medicine, acompanhou por 16 anos 74.534 mulheres do Nurses' Health Study. As que iam a serviços religiosos mais de uma vez por semana tiveram mais de 30% menos chance de morrer no período do que as que nunca iam. Os autores argumentam que controlaram a causalidade reversa, a possibilidade de que as pessoas mais saudáveis frequentem mais, e as explicações que propõem, como apoio social, menos tabagismo e menos depressão, são hipóteses.
A leitura do O.I.N.O.R.
Nossa tese Auditoria da Escritura chama de florescimento o extremo do espectro em que a leitura serve de apoio para viver. Na Seção V.b dizemos que a evidência é "correlacional, não causal" e que existem efeitos de seleção por saúde e por apoio social. Isso coincide com o que os próprios autores do estudo global afirmam.
O problema está numa referência. Atribuímos a VanderWeele (2017, ref. 28) o achado de menor mortalidade em grandes grupos de pessoas acompanhadas. O artigo de 2017 na PNAS tem título de texto conceitual, "On the promotion of human flourishing", e não conseguimos abri-lo por bloqueio do site, de modo que não podemos afirmar o que ele contém. O dado de mortalidade que as fontes abertas associam ao grupo de Harvard está no estudo de 2016, que não citamos. Vamos conferir o artigo e, se preciso, trocar ou acrescentar a referência.
Há uma segunda observação. Tudo isso fala de frequentar cultos, um fenômeno de comunidade e rotina. Não diz nada sobre o mecanismo retórico do paralelismo, que é o que a tese estuda.
Nota de rigor. lemos as páginas de divulgação de Harvard, não os artigos completos.
Fontes
- Harvard Human Flourishing Program, Insights from the Global Flourishing Study
- Harvard Gazette, Frequent religious service attendance linked with decreased mortality risk among women, mai. 2016
- VanderWeele, T. J., On the promotion of human flourishing, PNAS 114(31), 2017 (ref. 28 da tese, página bloqueada)
- Bellato, T., Auditoria da Escritura, preprint, set. 2026, Seção V.b (tese do O.I.N.O.R.)
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