Início / Achados / Somático
Necrose Sistêmica

A OMS não classifica o burnout como doença, e a causa já é o trabalho

A tese contesta a definição do CID-11 como se ela culpasse a pessoa. O texto da OMS diz outra coisa, e vamos corrigir.

IOPNO · Somático · 30 de outubro de 2026

Importante. esta matéria é informativa e não substitui avaliação de um profissional de saúde.

Em uma frasea OMS define o burnout como resultado de estresse crônico no trabalho e diz expressamente que não é uma condição médica, o que contradiz a crítica que fizemos na tese.

A página da OMS define o burnout, no CID-11 (a classificação internacional de doenças), como "uma síndrome conceituada como resultante de estresse crônico no local de trabalho que não foi administrado com sucesso". Ela descreve três dimensões: sentimentos de esgotamento de energia ou exaustão, aumento do distanciamento mental em relação ao trabalho, incluindo sentimentos negativos ou cínicos, e redução da eficácia profissional.

A OMS afirma que o burnout "não é classificado como condição médica": é um fenômeno ocupacional, listado entre os fatores que influenciam o estado de saúde ou o contato com serviços de saúde. E o termo se aplica apenas ao trabalho, não devendo ser usado para descrever experiências em outras áreas da vida.

A leitura do O.I.N.O.R.

Nossa tese, Necrose Sistêmica, escreve que a classificação do CID-11 contém "um erro estrutural de atribuição causal": ela colocaria o organismo como o sistema que falha, enquanto o ambiente seria tratado como dado. E propõe "reclassificar" o fenômeno.

Não encontramos isso no texto da OMS. A definição liga o burnout ao estresse crônico do local de trabalho, ou seja, atribui a origem ao ambiente. As três dimensões descrevem o que a pessoa sente, o que é diferente de dizer de quem é a culpa. A expressão "não administrado com sucesso" pode ser lida como transferência de responsabilidade, mas não está no centro da definição. E não há uma classificação como doença a ser contestada: a OMS coloca o burnout fora das condições médicas.

Vamos corrigir a tese. A crítica mais forte é outra: a de que ela deve descrever sua proposta como um novo constructo, e não como correção de um erro do CID.

Nota de rigor. lemos a página da OMS de 2019, não o texto completo do CID-11.

Fontes

Mais sobre este tema