Em uma frasea antipatia entre eleitores de campos opostos subiu perto da eleição de 2022 e caiu depois, e dar a eles a informação correta sobre o que o outro lado pensa reduziu a hostilidade.
Chamamos de resultado mais relevante o de um estudo brasileiro de Anna Petherick, Guilherme Ramos, Rodrigo Furst, Rafael Goldszmidt e Eduardo Andrade. A Escola de Governo Blavatnik, de Oxford, informa que ele saiu na Nature Communications em 5 de junho de 2026. Nossa tese o citava como estudo de 2022, porque os dados são daquele ano.
O desenho foi registrado antes da coleta e teve cinco ondas de pesquisa, de abril de 2022 a fevereiro de 2023, quatro delas com as mesmas pessoas. A antipatia entre grupos políticos aumentou perto das eleições, atingiu o pico em torno da votação e diminuiu depois. A polarização entre eleitores de Lula e de Bolsonaro, definidos pela intenção de voto no primeiro turno, foi intensa antes da campanha, ficou estável durante a eleição e caiu depois de forma parecida nos dois lados.
O segundo resultado é o que interessa à tese. Os participantes superestimaram muito o que o outro grupo pensa sobre temas controversos, como aborto, desmatamento na Amazônia e ações afirmativas. Apoiadores de Bolsonaro estimaram que mais de 81% dos apoiadores de Lula eram favoráveis ao aborto até o terceiro mês de gestação, quando o percentual real era de 46%. Quando receberam os dados reais, passaram a gostar mais do grupo adversário do que um grupo de controle, e a polarização afetiva caiu em até 6,66 pontos no termômetro de simpatia.
A leitura do O.I.N.O.R.
Nossa tese, Ausência de Si, lê o resultado como coerente com uma identidade mantida por contraste: se parte da hostilidade se sustenta numa caricatura do adversário, e não em divergência real, corrigir a caricatura enfraquece a hostilidade. É uma leitura razoável e é uma entre outras, pois o estudo mede o sentimento declarado, e as páginas consultadas não informam por quanto tempo o efeito dura.
Há também uma correção. A tese dizia que seus dados brasileiros terminavam em 2022, e o estudo vai até fevereiro de 2023. O que continua verdadeiro é que não temos medida de polarização afetiva para o período seguinte.
O que o resultado dá é um achado raro nesse campo: uma intervenção que funcionou, em pequena escala, e que não depende de mudar o que ninguém pensa sobre política.
Nota de rigor. lemos as duas páginas da Escola de Governo de Oxford sobre o estudo, não o artigo completo.
Fontes
- Blavatnik School of Government (Oxford), Dynamics of sociopolitical polarization and effects of misperception-correcting information around the 2022 Brazilian elections
- Blavatnik School of Government (Oxford), Polarisation intensifies around elections but can be reduced with the right information
- Bellato, T. Ausência de Si, versão de trabalho, out. 2026 (tese do O.I.N.O.R.)
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