Em uma frasea violência contra quem disputa cargos políticos no Brasil é frequente e atinge partidos de todo o espectro, mas os levantamentos usam métodos diferentes e não formam uma curva única.
A tese escreveu que o Observatório da Violência Política e Eleitoral da UNIRIO registrou 214 casos de violência contra lideranças em 2022, contra 47 em 2019. Os dois números são reais, mas se referem ao primeiro semestre de cada ano. De janeiro a junho de 2022 foram 214 casos, contra 174 no mesmo período de 2020, um aumento de 23%, e 47 no mesmo período de 2019. Não é total anual. Vamos corrigir isso.
O observatório conta ameaças, agressões, atentados, homicídios e sequestros contra lideranças e seus familiares, e não inclui violência contra eleitores comuns. Depois, contou pelo menos 338 casos entre julho e setembro de 2024, na campanha municipal, com 179 episódios de violência física, 55 tentativas de homicídio e 33 assassinatos. Os partidos mais atingidos foram União Brasil (41 casos), PT (39) e MDB (37), o que mostra vítimas em campos muito diferentes.
Em 2026 há dois levantamentos com métodos distintos. Terra de Direitos e Justiça Global registraram 134 casos nos 50 dias do primeiro turno, de 16 de agosto a 4 de outubro, contra 121 no primeiro turno de 2022. A maior parte, 76,1%, atingiu pessoas com candidatura registrada, 31,3% ocorreram na internet, 52,2% das vítimas eram mulheres, e nenhum caso tinha resultado em punição efetiva ao fim da coleta. A Agência Pública contou 11 casos denunciados por candidatos em 17 dias de setembro, em seis dos quais policiais ou seguranças privados eram os agressores.
A leitura do O.I.N.O.R.
Quatro organizações, quatro recortes. O que os números sustentam, em conjunto, é que a violência dirigida a quem disputa cargos é frequente e que atinge partidos de todo o espectro. O que não sustentam é uma curva única de agravamento, e nós nos recusamos a desenhá-la.
Quanto à ligação com nossa tese, Ausência de Si, ela é interpretação teórica: a retaliação física seria o grau mais alto de uma escala que começa na ironia e na rotulagem, e a pergunta aberta é se os graus leves e o extremo respondem ao mesmo mecanismo. Nenhuma dessas fontes testa isso.
Nota de rigor. a comparação com 263 casos em 2022 e 235 em 2020, citada por uma das reportagens de 2024, não informa os períodos, e por isso não a usamos.
Fontes
- Curto News, Violência política cresce no Brasil, primeiro semestre de 2022 (fonte: Observatório da Violência Política e Eleitoral da UNIRIO)
- CUT, Violência política sobe 23% nos primeiros seis meses de 2022 em relação a 2020
- Brasil de Fato, Brasil tem 338 casos de violência política durante campanha eleitoral de 2024
- Times Brasil, Decisão 2026: 1º turno registrou um caso de violência política a cada nove horas (levantamento de Terra de Direitos e Justiça Global, 7 out. 2026)
- Agência Pública, Levantamento aponta um caso de violência política a cada 37 horas durante campanha de 2026
- Bellato, T. Ausência de Si, versão de trabalho, out. 2026 (tese do O.I.N.O.R.)
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