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Ausência de Si

Sindicatos e religião: os grupos não desapareceram, mudaram de lugar

A tese testa a ideia de que a identidade migrou do grupo para o indivíduo. Dois indicadores oficiais não sustentam uma substituição linear.

IOPNO · Cognitivo · 30 de outubro de 2026

Em uma frasea sindicalização brasileira caiu até 2023 e voltou a subir em 2024, e o Censo mostra evangélicos crescendo, o que não combina com a ideia de que as pessoas simplesmente deixaram os grupos.

Uma hipótese da segunda metade da nossa tese é que a identidade passou a ser entregue ao indivíduo isolado, e não mais a grupos. Nos Estados Unidos, Robert Putnam documentou a queda da participação em associações cívicas desde meados do século XX e atribuiu parte dela à geração, à televisão, às pressões do trabalho e à suburbanização. Críticos sustentam que a participação mudou de forma e não desapareceu.

Para o Brasil, a tese usa dois indicadores oficiais. O primeiro é a sindicalização. A taxa de ocupados sindicalizados caiu de 16,1% em 2012, com 14,4 milhões de pessoas, para 9,2% em 2022, com cerca de 9,1 milhões, o menor nível da série. A tese parava em 2022. Desde então, segundo a edição especial da PNAD Contínua noticiada em 19 de novembro de 2025, a taxa chegou a 8,4% em 2023 e voltou a 8,9% em 2024, com 9,1 milhões de pessoas. A queda parou.

O segundo indicador é a religião. O Censo 2022, divulgado em 6 de junho de 2025, mostra que, entre pessoas com 10 anos ou mais, os católicos passaram de 65,1% para 56,7%, os evangélicos de 21,6% para 26,9%, com 47,4 milhões de pessoas, e os sem religião de 7,9% para 9,3%, com 16,4 milhões.

A leitura do O.I.N.O.R.

Lemos os dois indicadores juntos e concluímos que não sustentam uma substituição linear de grupos por indivíduos. O crescimento evangélico é um crescimento de pertencimento em grupo, e o dos sem religião é compatível com individualização. A leitura mais honesta é que os grupos não desapareceram e passaram a coexistir com ideologias entregues a indivíduos isolados.

A atualização de 2024 reforça a cautela: o declínio sindical não é uma linha reta, e os dois indicadores têm causas concorrentes, como mudanças na composição do mercado de trabalho e nas regras sindicais, que a tese não isola. A hipótese de migração continua teórica, com sustentação parcial e sem dado brasileiro direto sobre o consumo individual de ideologia.

Nota de rigor. a tese citava só a sindicalização de 2022. Os números de 2023 e 2024 vêm de reportagem sobre a PNAD Contínua, não da tabela do IBGE.

Fontes

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