Importante. não interrompa nem altere antidepressivos por conta própria. Isso só deve ser feito com acompanhamento médico.
Em uma frasea literatura sugere que reduzir o sono REM pode fazer parte de como alguns antidepressivos agem, o que contraria a afirmação da tese de que esses remédios bloqueiam um mecanismo de reparo.
Um preprint de 3 de setembro de 2026, ainda sem revisão por especialistas, reúne o que se sabe sobre antidepressivos e sono. Os que ativam, como os inibidores seletivos de recaptação de serotonina, demoram mais para levar ao REM e reduzem essa fase. Os sedativos encurtam o tempo para adormecer e aumentam o sono profundo, com pouco efeito sobre o REM. Bupropiona e nefazodona não reduzem o REM, e a mirtazapina aumentou sua proporção nos estudos citados. Os efeitos são mais fortes nas primeiras semanas. O próprio texto admite que não fez avaliação formal de risco de viés.
Uma revisão de 2023 no Journal of Personalized Medicine traz um dado que complica a leitura intuitiva. Pessoas com depressão endógena tendem a ter REM mais cedo, mais longo e mais denso. E quase todos os antidepressivos reduzem o REM, o que levou pesquisadores a propor essa redução como possível mecanismo de ação. A privação de REM chegou a ser testada como tratamento: no estudo de Vogel e colegas, de 1972, cinco de oito pacientes melhoraram de forma marcante. As amostras eram pequenas, e os autores pedem validação em grupos maiores.
A leitura do O.I.N.O.R.
Nossa tese, Oneiros, propõe que antidepressivos e outros remédios que reduzem o REM silenciam o sintoma e também o que ela chama de "mecanismo de reparo" da mente. É a afirmação mais frágil do texto. A literatura sugere que o REM aumentado pode fazer parte do quadro de depressão, e que há antidepressivos que não reduzem o REM.
Tratamos a hipótese como aberta. Um teste possível compararia, em estudo controlado, os resultados emocionais de quem usa remédios que reduzem o REM com os de quem usa os que não reduzem. Para o mesmo tema do outro lado, veja a matéria sobre a retirada de antidepressivos, na série Involução Iatrogênica.
Nota de rigor. a fonte mais recente é um preprint de revisão narrativa, sem avaliação formal de risco de viés, e o estudo de 1972 tinha amostra pequena.
Fontes
- Kumar S. V. S. Choosing antidepressants when depression meets insomnia: a narrative review. Preprints.org, set. 2026 (preprint, sem revisão por pares)
- Crișan C. A. et al. A narrative review on REM sleep deprivation. Journal of Personalized Medicine, 2023
- Bellato, T. ONEIROS: The Dream as Cognitive Maintenance Infrastructure, preprint (tese do O.I.N.O.R.)
Mais sobre este tema
Um em cada cinco brasileiros dorme menos de seis horas
O Vigitel mediu o sono pela primeira vez em 2026. A tese Oneiros pergunta o que se perde quando a noite encolhe.
O sono alivia a dor das lembranças? A ideia central da tese está em disputa
Em 2026 a ideia do REM como terapia noturna voltou ao debate. A metanálise de 2022 não confirmou o efeito de forma simples, e vamos corrigir a tese.
Reescrever o pesadelo acordado reduziu os pesadelos na depressão
Um estudo francês de 2026 testou quatro sessões em grupo. O resultado é promissor, mas o desenho é exploratório e a amostra é pequena.