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Oneiros

Antidepressivos reduzem o REM. Isso bloqueia uma "cura" da noite?

A literatura aponta quase o contrário do que a tese afirmou. Um preprint de 2026 e uma revisão de 2023 mostram que o efeito varia entre os remédios.

IOPNO · Somático · 30 de outubro de 2026

Importante. não interrompa nem altere antidepressivos por conta própria. Isso só deve ser feito com acompanhamento médico.

Em uma frasea literatura sugere que reduzir o sono REM pode fazer parte de como alguns antidepressivos agem, o que contraria a afirmação da tese de que esses remédios bloqueiam um mecanismo de reparo.

Um preprint de 3 de setembro de 2026, ainda sem revisão por especialistas, reúne o que se sabe sobre antidepressivos e sono. Os que ativam, como os inibidores seletivos de recaptação de serotonina, demoram mais para levar ao REM e reduzem essa fase. Os sedativos encurtam o tempo para adormecer e aumentam o sono profundo, com pouco efeito sobre o REM. Bupropiona e nefazodona não reduzem o REM, e a mirtazapina aumentou sua proporção nos estudos citados. Os efeitos são mais fortes nas primeiras semanas. O próprio texto admite que não fez avaliação formal de risco de viés.

Uma revisão de 2023 no Journal of Personalized Medicine traz um dado que complica a leitura intuitiva. Pessoas com depressão endógena tendem a ter REM mais cedo, mais longo e mais denso. E quase todos os antidepressivos reduzem o REM, o que levou pesquisadores a propor essa redução como possível mecanismo de ação. A privação de REM chegou a ser testada como tratamento: no estudo de Vogel e colegas, de 1972, cinco de oito pacientes melhoraram de forma marcante. As amostras eram pequenas, e os autores pedem validação em grupos maiores.

A leitura do O.I.N.O.R.

Nossa tese, Oneiros, propõe que antidepressivos e outros remédios que reduzem o REM silenciam o sintoma e também o que ela chama de "mecanismo de reparo" da mente. É a afirmação mais frágil do texto. A literatura sugere que o REM aumentado pode fazer parte do quadro de depressão, e que há antidepressivos que não reduzem o REM.

Tratamos a hipótese como aberta. Um teste possível compararia, em estudo controlado, os resultados emocionais de quem usa remédios que reduzem o REM com os de quem usa os que não reduzem. Para o mesmo tema do outro lado, veja a matéria sobre a retirada de antidepressivos, na série Involução Iatrogênica.

Nota de rigor. a fonte mais recente é um preprint de revisão narrativa, sem avaliação formal de risco de viés, e o estudo de 1972 tinha amostra pequena.

Fontes

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