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A Pinça Afetiva

Em 2025 o crime letal caiu ao menor nível e a polícia matou mais

O Anuário de Segurança Pública 2026 trouxe duas curvas que se afastaram. A tese A Pinça Afetiva vê nesse afastamento uma pergunta, e nós a tratamos assim.

IOPNO · Cognitivo · 30 de outubro de 2026

Em uma fraseem 2025 o Brasil teve a menor taxa de mortes violentas da série histórica e, ao mesmo tempo, o maior número de mortes causadas pela polícia.

Em julho de 2026, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou o 20º Anuário, e dois números dominaram a cobertura. O país registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, uma taxa de 19,1 por 100 mil habitantes. É a primeira vez que a taxa fica abaixo de 20 desde o início da série, em 2012, quando era de 27,7.

No mesmo ano, as mortes decorrentes de intervenção policial chegaram a 6.602, o maior valor já registrado. Dividido pelos dias do ano, dá cerca de 18 mortes por dia.

A leitura do O.I.N.O.R.

Nossa tese se chama A Pinça Afetiva. A palavra "pinça" vem de uma imagem: duas pontas que apertam ao mesmo tempo. Na tese, uma ponta é o medo da força policial, e a outra é a esperança de ser protegido por ela. A tese afirma que as duas sensações nascem da mesma base e que a função de proteger está descolada tanto da queda do crime quanto da demanda da população por punição, que também recuou.

A divergência entre as duas curvas é real e está nas fontes. Mas ela não prova que a polícia não protege. A queda dos homicídios pode ter causas demográficas, de reorganização de facções ou de políticas locais, e a polícia pode ter contribuído para parte dela. Duas curvas que se afastam são uma pergunta, não uma sentença. A pergunta honesta é qual parte da queda do crime se deve ao trabalho policial e qual parte vem junto com a letalidade. Só uma comparação entre estados, antes e depois de mudanças de política, poderia separar as duas.

Os dados do próprio Anuário permitem começar: a taxa nacional de mortes por intervenção policial é de 3,1 por 100 mil, mas varia até 17,1 no Amapá. Variação assim serve de matéria-prima para teste, não para slogan.

Nota de rigor. as reportagens divergem entre si em alguns percentuais. A alta de 2024 para 2025 aparece como 5,4%, mas as contagens de 6.237 e 6.602 implicam cerca de 5,9%, e a queda das mortes violentas aparece entre 7,8% e 8,2% conforme o veículo. A diferença precisa ser conferida no texto integral do Anuário. Também não conferimos o percentual de 55,7% de alta entre 2016 e 2025 que a tese cita, porque as fontes começam a série comparável em 2017.

Fontes

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