Em uma fraseduas pesquisas mostram menos apoio à frase "bandido bom é bandido morto", de 50 em cada 100 em 2015 para 20 em cada 100 em 2025, mas elas não são diretamente comparáveis.
Um dos gráficos mais fortes da nossa tese é a queda do apoio à frase "bandido bom é bandido morto". Os dois números existem. Em julho de 2015, o Datafolha, a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ouviu 1.307 pessoas em 84 cidades com mais de 100 mil habitantes: 50% concordaram e 45% discordaram. Em novembro e dezembro de 2025, o Instituto Sou da Paz, com a Oma Pesquisa, ouviu 1.115 pessoas em 40 municípios: 20% concordaram.
A comparação serve como indício, mas não como série. São institutos diferentes, com amostras e coberturas geográficas diferentes. Nenhuma das reportagens que lemos compara as duas pesquisas diretamente. Para chamar de tendência seria preciso conferir o texto exato da pergunta e a escala de resposta nas duas.
O levantamento de 2025 traz também números que pedem equilíbrio. Trinta e nove em cada 100 concordam que "o Brasil precisa aumentar as penas", e, entre eles, 58% dizem que nenhum argumento muda a opinião. Sessenta e nove em cada 100 concordam que "a polícia prende e a justiça solta". Cinquenta e cinco em cada 100 preferem aplicar as leis existentes a todos os criminosos. Sessenta e cinco em cada 100 preferem uma polícia mais bem preparada a mais polícia, e 32 em cada 100 concordam com "precisamos de mais polícia nas ruas".
A leitura do O.I.N.O.R.
Nossa tese, A Pinça Afetiva, fala de uma esperança de proteção que sobrevive mesmo quando a confiança na instituição cai. Os dados combinam com isso: o brasileiro parece rejeitar a morte como política, mas continua pedindo que a lei seja aplicada e que a polícia seja mais bem preparada. A população não se tornou antipunitiva. Tornou-se mais seletiva.
O dado pode ser lido por dois lados. Para um, é sinal de que o discurso de proteção perdeu eficácia. Para outro, de que a demanda por uma polícia que funcione continua forte. A tese ganha se admitir que os dois lados do debate encontram aqui um argumento.
Nota de rigor. a tese descreve os 32% como "apenas 32% acreditam que aumentar o policiamento melhora a segurança", mas a frase pesquisada é uma afirmação de necessidade ("precisamos de mais polícia"). Vamos corrigir essa paráfrase.
Fontes
- Gazeta do Povo, Metade da população concorda com o bordão "bandido bom é bandido morto", out. 2015
- Jovem Pan, Brasileiro quer penas mais duras, mas rejeita "bandido bom é bandido morto", maio 2026
- Agência Brasil, Segurança pública: apenas 32% se sentem seguros, 18 maio 2026
- Bellato, T. The Affective Pincer, preprint, ago. 2026 (tese do O.I.N.O.R.)
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