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A Pinça Afetiva

A letalidade policial não é igual para todos, mostra o Anuário 2026

A taxa de mortes por intervenção policial entre negros foi 3,5 vezes a de brancos. A tese tem razão em chamar o risco de desigual.

IOPNO · Cognitivo · 30 de outubro de 2026

Em uma frasesegundo a cobertura do Anuário 2026, a taxa de mortes por ação policial foi de 3,5 por 100 mil entre negros e de 1,0 entre brancos, e varia muito de estado para estado.

Segundo a cobertura do Anuário 2026 feita pelo Brasil de Fato, a taxa de mortes por intervenção policial foi de 3,5 por 100 mil habitantes entre pessoas negras e de 1,0 entre brancas. O perfil das vítimas é bem definido: 97 em cada 100 são homens e 46 em cada 100 têm entre 20 e 29 anos. Nos casos com informação detalhada, 89,5% das mortes foram causadas por policiais militares em serviço.

A geografia reforça a desigualdade. A taxa nacional é de 3,1 por 100 mil, mas o Amapá chega a 17,1, a pior do país pelo sétimo ano seguido, e a Bahia a 10,6. Seis das dez cidades com mais de 100 mil habitantes e as maiores taxas ficam na Bahia.

A leitura do O.I.N.O.R.

Nossa tese, A Pinça Afetiva, diz que o medo da polícia e a esperança de proteção convivem, mas não são sentidos igualmente por todos. Quem vive onde a letalidade é alta tem razões concretas para o medo, e quem vive onde é baixa pode ter razões concretas para a confiança. Os dados dão razão à tese nesse ponto.

Quando o debate público fala em "a polícia", como se houvesse uma só experiência, apaga justamente a variável que mais explica quem teme e quem confia. Isso vale para os dois lados da discussão: quem só enxerga o policial como ameaça e quem só o enxerga como proteção cometem a mesma simplificação. Uma pesquisa que meça medo e confiança separadamente por raça e território descreveria o país com mais precisão do que qualquer média nacional.

Nota de rigor. a CNN Brasil atribui a razão de 3,5 vezes especificamente a jovens negros de 20 a 29 anos, enquanto o Brasil de Fato a apresenta como razão geral entre negros e brancos. O texto integral do Anuário deve confirmar a base usada.

Fontes

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