Em uma fraseem áreas da PM paulista com câmeras corporais, as mortes por intervenção policial caíram 57% nos primeiros 14 meses, segundo a FGV, e o ganho depende de a câmera ficar ligada.
Nossa tese, A Pinça Afetiva, propõe como saída trocar o afeto, a ideia vaga de que a polícia protege ou ameaça, por medição: em vez de perguntar se a polícia protege, perguntar proteger quem, a que custo e medido como. A ideia tem evidência no país.
Em dezembro de 2022, o Centro de Ciência Aplicada à Segurança Pública da FGV divulgou que, nas áreas de unidades da PM paulista que receberam câmeras corporais, as mortes por intervenção policial caíram 57% e as lesões corporais, 63%, em comparação com a média anterior, nos primeiros 14 meses. O desenho compara as áreas antes e depois, o que não elimina outras explicações.
Em maio de 2024, o Sou da Paz, o Fogo Cruzado e a Comissão Arns criticaram um edital paulista que deixaria ao policial a decisão de acionar a câmera. As entidades lembraram que, segundo elas, os agentes não ligam o equipamento em cerca de 70% das ocorrências. É informação das entidades, não confirmada em fonte oficial.
Sobre a desescalada, a tese cita um programa de Louisville com 28% menos incidentes de uso da força, 26% menos lesões em civis e 36% menos em policiais. O comunicado da Universidade de Cincinnati confirma os números, mas é material de divulgação, e o treinamento foi desenvolvido pela organização cujo diretor elogia o resultado. Uma revisão de 2020 de Engel e colegas é mais cautelosa: 64 avaliações em quarenta anos, a maioria em enfermagem e psiquiatria, com ganhos de pequenos a moderados e qualidade de desenho questionável.
No Congresso, a PEC da Segurança Pública foi retirada da pauta do plenário do Senado em 15 de outubro de 2026, depois de passar pela CCJ, para evitar uma discussão apressada e acomodar emendas, algumas sobre maioridade penal. Não há nova data.
A leitura do O.I.N.O.R.
O Brasil não precisa esperar uma teoria para medir. Há uma tecnologia, a câmera, e há um resultado inicial que aponta para menos mortes. Há também o alerta de que o ganho se perde se o equipamento só for ligado quando convém. Medição distribuída, na proposta da tese, quer dizer câmera sempre ligada, dado aberto por batalhão e avaliação independente.
Nota de rigor. o estudo da FGV foi lido pela cobertura do SBT News, e os números de Louisville vêm de um comunicado da universidade. A comparação com Virginia Beach, citada na tese, não foi localizada.
Fontes
- SBT News, Estudo da FGV mostra que câmeras em policiais tiveram impacto positivo, 6 dez. 2022
- AlmaPreta, Mudanças no uso de câmeras corporais pela PM paulista preocupam entidades de direitos humanos, 24 maio 2024
- Universidade de Cincinnati, UC-led research first to show benefits of police de-escalation training, jan. 2022
- Engel, R. S.; McManus, H. D.; Herold, T. D. (2020). Does de-escalation training work?, Criminology & Public Policy
- Portal de Prefeitura, Alcolumbre retira PEC da Segurança Pública da pauta do Senado, 15 out. 2026
- Bellato, T. The Affective Pincer, preprint, ago. 2026 (tese do O.I.N.O.R.)
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