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Quod Est Superius

Casaubon datou o Corpus Hermeticum em 1614. E o Hermes dos textos?

A tese abre a seção III com uma imagem forte de Hermes Trismegisto escrevendo para ser reconhecido. A história dos textos lembra que a imagem é de leitura, não de autoria.

IOPNO · Simbólico · 30 de outubro de 2026

Em uma fraseos textos atribuídos a Hermes Trismegisto são do mundo helenístico e romano dos séculos II e III, e não do Egito faraônico.

A seção III da tese Quod Est Superius abre com uma frase memorável: Hermes Trismegisto não escreveu para ser lido uma vez, escreveu para ser reconhecido, de modo que cada vez que o padrão reaparecesse, em qualquer língua, o leitor preparado o veria. É boa literatura, e a própria tese a trata como imagem, porque marca o parágrafo seguinte como teórico.

A história dos textos dá à imagem um contorno diferente. O Corpus Hermeticum é uma coleção de tratados gregos atribuídos a Hermes Trismegisto. A enciclopédia consultada diz que Isaac Casaubon datou corretamente o corpus em 1614, e que a influência da coleção declinou depois disso. A datação atual é dos séculos II e III da era comum. A nota metodológica da tese fala em séculos I a III, uma faixa um pouco mais larga, e a diferença é pequena.

O que importa é o fato central: os textos não são do Egito faraônico, nem de um sábio único e muito antigo, e sim obra de autores do mundo helenístico e romano que escreveram sob o nome de Hermes. A atribuição ao antigo sábio foi o que permitiu, nos séculos anteriores a Casaubon, que o conjunto fosse lido como sabedoria primordial. Marsilio Ficino traduziu o corpus para o latim, e a tese cita a edição de 1471.

A leitura do O.I.N.O.R.

A tese é cuidadosa com isso. Trata o Corpus Hermeticum como fonte histórica primária, no registro histórico, e não afirma a antiguidade egípcia. O que a imagem de Hermes escrevendo para ser reconhecido faz é pedir ao leitor que trate "Hermes" como nome de uma tradição de leitura, e não de um autor.

O gesto da tese é a escolha de uma lente: ler a história da filosofia como se um autor imaginário tivesse deixado um padrão para ser reconhecido. Isso é legítimo e, por ser assumido, é honesto. O ganho de dizê-lo com a data de Casaubon na mão é que o leitor distingue, sem esforço, o Hermes da tradição de leitura do Hermes dos manuscritos, e entende por que a tese se declara uma leitura e não uma descoberta.

Nota de rigor. lemos um verbete de enciclopédia sobre hermetismo. Copenhaver e Ficino são citados pela tese e não foram abertos.

Fontes

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