Em uma frasepela primeira vez o Censo perguntou sobre autismo e contou 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico, 1,2% da população, mas o número mede quem foi diagnosticado, não quem é autista.
Pela primeira vez, o Censo brasileiro perguntou sobre autismo. O resultado, divulgado pelo IBGE em maio de 2025, contou 2,4 milhões de pessoas que já receberam diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA) de algum profissional de saúde, o equivalente a 1,2% da população. A pergunta foi incluída por determinação da Lei nº 13.861, de 2019.
O detalhe está nos recortes. A prevalência de diagnóstico foi maior entre os homens, 1,5%, do que entre as mulheres, 0,9%. Entre pessoas brancas chegou a 1,3%, e entre pretas e pardas a 1,1%. A Região Sudeste concentra 43% dos diagnosticados.
É preciso entender o que o Censo mede. A pergunta não verificou quem é autista, mas quem já recebeu um diagnóstico. A diferença é decisiva.
A leitura do O.I.N.O.R.
Nossa tese se chama Neurodivergência como Excedente Evolutivo. "Neurodivergência" é o nome dado a formas de funcionar do cérebro que diferem do padrão, como o autismo, o TDAH e a dislexia. A tese defende que esses traços podem ser uma variação útil para a espécie, e não apenas defeito. E defende que o diagnóstico não é um evento neutro, e sim um bem distribuído de forma desigual: custo, filas, distância e critérios construídos a partir de meninos brancos determinam quem recebe um nome para o que vive.
Os números do Censo são compatíveis com essa leitura. Não há razão biológica conhecida para o autismo ser menos frequente entre pessoas pretas e pardas. A diferença mais provável está no acesso. Quanto às mulheres, a literatura descreve há anos um subdiagnóstico ligado à camuflagem dos traços.
Para nós, o retrato do Censo não é um mapa do autismo no Brasil. É um mapa de quem conseguiu chegar até a avaliação.
Nota de rigor. a ligação entre as diferenças do Censo e o acesso ao diagnóstico é interpretação nossa. O Censo não mediu acesso.
Fontes
- IBGE, Agência de Notícias, Censo 2022 e autismo (mai. 2025)
- Jornal Opção, recorte por cor e região
- Viva, desigualdade de acesso ao diagnóstico
- Bellato, T. Neurodivergence as Evolutionary Surplus, O.I.N.O.R., 2026 (tese do O.I.N.O.R.)
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