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Neurodivergência como Excedente Evolutivo

Receitas de estimulantes para TDAH triplicam em novos usuários desde 2020

Um estudo canadense de 2026 registra o salto. A tese vê um paradoxo: diagnósticos demais para alguns e nenhum para outros.

IOPNO · Cognitivo · 30 de outubro de 2026

Importante. estimulantes devem ser usados apenas com prescrição e acompanhamento médico.

Em uma fraseum estudo do Canadá mostra que, entre fevereiro de 2020 e junho de 2024, o número de novos usuários de estimulantes com diagnóstico de TDAH triplicou.

Um estudo publicado em março de 2026 no Canadian Medical Association Journal, liderado pela pesquisadora Tara Gomes, analisou o início de tratamentos com estimulantes como o metilfenidato e as anfetaminas. Entre fevereiro de 2020 e junho de 2024, a parcela das novas prescrições ligadas a diagnósticos de TDAH subiu de 23,8% para 31,3%, e o número absoluto de novos usuários com esse diagnóstico foi multiplicado por três.

As pesquisadoras discutem o papel das redes sociais, que aumentaram a visibilidade do TDAH adulto e a procura por avaliação. Levantam também questões sobre diagnósticos errados ou tardios, desigualdade de acesso e efeitos na saúde.

O movimento não é só canadense. No Brasil, profissionais relatam aumento da procura por diagnóstico e tratamento em adultos, e iniciativas judiciais e legislativas começam a tratar dos direitos dessa população.

A leitura do O.I.N.O.R.

À primeira vista, o fenômeno contradiz nossa tese, Neurodivergência como Excedente Evolutivo, que fala em subdiagnóstico. Na verdade, ele a completa.

A tese descreve o diagnóstico como privilégio de classe. O aumento recente acontece sobretudo entre quem tem acesso a informação, consultas e, muitas vezes, telemedicina privada. Ao mesmo tempo, as populações com maior carga, como pessoas presas, em situação de rua ou dependentes de serviços públicos lotados, continuam sem avaliação.

O resultado é um paradoxo: possível excesso de diagnóstico em uma parte da sociedade e falta dele na outra. Para nós, a pergunta não é se há diagnósticos demais ou de menos, e sim quem os recebe.

Nota de rigor. os números do estudo canadense vêm de um resumo, e a ligação entre o aumento e as redes sociais é discussão das autoras, não resultado medido. O que dissemos sobre populações sem avaliação é interpretação da tese.

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