Em uma fraseem 1949, um psicólogo deu a 39 alunos o mesmo texto genérico como se fosse uma análise pessoal, e eles o avaliaram como muito preciso.
Em 1949, o psicólogo Bertram Forer aplicou a seus alunos um teste de personalidade e prometeu a cada um uma análise personalizada. Uma semana depois entregou a todos o mesmo texto, montado com frases tiradas de um livro de astrologia de banca de jornal, e pediu que avaliassem a precisão numa escala de zero a cinco. Os 39 estudantes deram uma média altíssima, em torno de 4,3.
O experimento prova algo limitado e importante. Ele não prova que as pessoas são tolas. Prova que frases vagas, de leve tom positivo, são lidas como pessoais quando a pessoa acredita que foram feitas para ela. Replicações posteriores, entre elas as revisões de Snyder, Shenkel e Lowery, de 1977, e de Dickson e Kelly, de 1985, apontam o que aumenta a aceitação: frases com construções do tipo "às vezes", traços predominantemente positivos, crença na personalização e confiança na autoridade ou honestidade de quem avalia.
A ressalva do próprio campo é que o efeito é um fato sobre a leitura, não sobre o praticante. Um bom profissional pode dizer algo genérico sem má-fé, e um mau profissional pode ser específico e errado.
A leitura do O.I.N.O.R.
Nossa tese, A Arquitetura Estrutural da Captura de Crença, usa o efeito como piso empírico da chamada leitura fria, técnica de produzir a impressão de conhecimento específico a partir de frases gerais e da reação de quem ouve. E acerta ao dizer que a diferença de autoridade é um mecanismo próprio, não só o conteúdo vago: quanto mais autoridade se atribui a quem fala, maior a aceitação de conteúdo vago.
Fazemos uma correção de rigor: a tese registra a média como 4,26, a página de referência que consultamos registra 4,30, e o artigo original precisa ser aberto antes da versão final. Também distinguimos o que o experimento mostra, a aceitação de frases genéricas, do que a tese infere, que um sistema que se apoia nessa aceitação é extrativo. A segunda parte depende de outro critério da tese, que examinamos em outra matéria.
Nota de rigor. não lemos o texto original de Forer. Os números vêm de fontes secundárias, que divergem levemente entre si.
Fontes
- Wikipedia, Barnum effect (ponto de partida)
- Forer, B. R. (1949). The fallacy of personal validation. Journal of Abnormal and Social Psychology, 44(1), 118-123 (referência sem link; texto original não lido)
- Dickson, D. H. e Kelly, I. W. (1985). Psychological Reports, 57(2), 367-382 (referência sem link)
- Bellato, T. A Arquitetura Estrutural da Captura de Crença, preprint (tese do O.I.N.O.R.)
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