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A Função Estrutural do 666

O papiro mais antigo do Apocalipse traz 616, não 666

Um estudo de 2007 aceita o 616 do papiro P115 e mostra que ele não prova, sozinho, que a Besta seja Nero. A tese A Função Estrutural do 666 apoia nesse papiro sua primeira seção.

IOPNO · Simbólico · 30 de outubro de 2026

Em uma fraseo fragmento mais antigo de Apocalipse 13:18 que chegou até nós parece trazer 616, e a explicação mais conhecida para a diferença, Nero, não é a única publicada.

Entre os papiros que Bernard Grenfell e Arthur Hunt tiraram do lixo antigo de Oxirrinco, no Egito, há um fragmento do Apocalipse que hoje fica no Museu Ashmolean, em Oxford, com o número de catálogo P115, ou P. Oxy. 4499. Segundo a Wikipedia, ele é datado por paleografia entre 225 e 275 d.C., o que o torna uma das testemunhas mais antigas do livro. No versículo 13:18 ele parece trazer "616" (as letras chi, iota e estigma) no lugar do "666" que a maioria das Bíblias imprime. A própria Wikipedia avisa que o texto é danificado e que a transcrição conjectural do instituto alemão de pesquisa do Novo Testamento é compatível com as duas leituras.

Em 2007, P. J. Williams publicou na Tyndale Bulletin um artigo em que aceita o 616 do papiro como leitura atestada, mas nega que ele confirme a solução tradicional. A explicação clássica é que "Nero César" escrito em letras hebraicas soma 666, e a forma latina "Nero", sem o n final, soma 616. Williams propõe duas rotas alternativas: transliterar para o hebraico a palavra grega para "da besta" (thēriou) também dá 616, e no papiro as letras do número lembram graficamente as abreviações sagradas de "Cristo" e "Jesus", o que pode ter sido percebido, ou até buscado, por quem copiou. O artigo também aponta uma letra eta sem explicação antes do número. O resumo do Bible Odyssey diz que Nero é a solução preferida por muitos estudiosos e que uma minoria lê o 616 como Gaio César, Calígula.

A leitura do O.I.N.O.R.

A tese A Função Estrutural do 666 faz do P115 a base de sua Seção II. Diz que um número que oscila entre 666 e 616 nas testemunhas mais antigas não está sendo transmitido como quantidade fixa, mas como cifra, e esse é um bom argumento que o artigo de Williams não afeta. O que ele afeta é a frase seguinte, segundo a qual "o consenso acadêmico" explica as duas leituras por um único mecanismo e Nero seria "o único candidato" que explica os dois números. Existe uma maioria a favor de Nero, e a tese cita Bauckham para isso, mas há explicações concorrentes publicadas, e uma delas parte justamente do papiro que a tese cita.

Há também uma inconsistência interna. O texto da Seção II data o P115 do "final do século III", e a Tabela 1 o data de 225 a 275, o que é meados do século. A segunda é a datação da fonte aberta que consultamos.

Nota de rigor. lemos a página da Wikipedia, o artigo de Williams na versão aberta e o resumo do *Bible Odyssey*. A edição do papiro não foi aberta.

Fontes

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