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A Inversão da Planta Sagrada

Sementes de tabaco de 12.300 anos: o que o achado de Utah prova

Quatro sementes queimadas numa fogueira de Utah mostram contato humano com tabaco silvestre há 12.300 anos. Isso não prova uso ritual.

IOPNO · Somático · 30 de outubro de 2026

Importante. este texto é informativo e não recomenda o uso de tabaco, nicotina ou álcool. O SUS oferece tratamento para tabagismo e para dependência de álcool; procure uma unidade básica de saúde ou um CAPS AD.

Em uma fraseo uso mais antigo de tabaco com evidência direta tem cerca de 12.300 anos, e a data certa é "anos atrás", não "a.C." como escrevemos na tese.

Nossa tese abre com uma data: a evidência direta mais antiga de uso de tabaco estaria em "aproximadamente 12.300 a.C.", no sítio de Wishbone, no deserto do Grande Lago Salgado, em Utah, onde quatro sementes carbonizadas de Nicotiana attenuata foram recuperadas de uma antiga fogueira. O achado existe, mas a data é outra. O estudo, publicado na Nature Human Behaviour e noticiado em outubro de 2021, fala em cerca de 12.300 anos atrás, o que equivale a uns 10.300 a.C. Vamos corrigir: dois milênios de diferença não são pouco para uma tese que se apoia em profundidade ritual.

A reportagem consultada traz ressalvas importantes. As sementes estavam numa lareira preservada, junto com ferramentas de pedra e ossos de pato. A espécie, conhecida como tabaco-do-coiote, nunca foi domesticada. O texto não diz se as sementes foram fumadas ou mascadas, nem como os pesquisadores concluíram que foram usadas por pessoas. Antes desse estudo, a evidência mais antiga de uso de tabaco tinha cerca de 3.300 anos, de resíduo de nicotina num cachimbo no Alabama.

A leitura do O.I.N.O.R.

Nossa tese se chama A Inversão da Planta Sagrada. Ela argumenta que o tabaco e o álcool, plantas e preparos que tiveram lugar em rituais, foram separados desses contextos pela indústria e transformados em produtos de consumo em massa, e que a doença que resulta disso serve à administração da população. É uma hipótese, e cada parte dela precisa ser separada do que é dado.

O ponto de partida é bom e merece ser dito com precisão. O contato humano com uma espécie de tabaco silvestre há mais de doze mil anos é um fato fascinante e verificável, e basta para abrir a tese. A atribuição de sentido ritual a esse uso é interpretação. A arqueologia mostra a semente na fogueira, e quem a colocou ali e para quê continua em aberto.

Nota de rigor. lemos uma reportagem sobre o estudo, não o artigo original. O número de sementes citado na tese vem de uma referência que não conferimos.

Fontes

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