Importante. este texto é informativo. Se você tem TDAH, o dado não é uma sentença individual: a diferença está associada a fatores que podem ser tratados.
Em uma fraseadultos com TDAH diagnosticado viveriam 6,8 anos (homens) e 8,6 anos (mulheres) menos, segundo um estudo britânico, e os autores ligam a diferença a fatores evitáveis.
Um estudo publicado no British Journal of Psychiatry pela equipe de Elizabeth O'Nions, da University College London, usou registros de atenção primária de cerca de 9,6 milhões de pessoas no Reino Unido, entre 2000 e 2019. Os pesquisadores identificaram 30.039 adultos com diagnóstico de TDAH e os compararam com 300.390 pessoas de mesma idade, sexo e clínica.
A redução estimada na expectativa de vida foi de 6,78 anos para os homens e de 8,64 anos para as mulheres. Os homens com diagnóstico tinham expectativa de 73,3 anos, contra 80 dos demais. As mulheres, 75,2 contra 83,8.
Os autores atribuem a diferença a fatores de risco que podem ser mudados, como o tabagismo, e a necessidades de apoio não atendidas, tanto do TDAH quanto de condições físicas e mentais associadas.
A própria autora fez uma ressalva importante. Como só uma pequena parte dos adultos com TDAH no Reino Unido tem diagnóstico, os diagnosticados podem ter, em média, mais problemas de saúde. O estudo pode, portanto, superestimar a perda para o conjunto das pessoas com TDAH.
A leitura do O.I.N.O.R.
Nossa tese, Neurodivergência como Excedente Evolutivo, usava este dado para falar dos anos perdidos por falta de diagnóstico. O estudo, na verdade, mede pessoas diagnosticadas, e corrigimos a formulação aqui.
O argumento central, porém, se mantém. O estudo mostra que a perda está ligada a fatores evitáveis e à falta de suporte, e não a um destino biológico. Para a tese, isso é o essencial: a mortalidade associada ao TDAH é, em grande parte, o custo de um ambiente que não reconhece nem acolhe essa forma de funcionar.
Nota de rigor. os números vêm do resumo do estudo e de reportagens sobre ele. A frase final sobre o custo do ambiente é interpretação da tese, e não conclusão dos autores.
Fontes
- O'Nions E. et al. British Journal of Psychiatry 226(5), 2025, resumo
- Psychiatrist.com, declarações da autora principal
- HealthDay, causas apontadas pelos autores
- Bellato, T. Neurodivergence as Evolutionary Surplus, O.I.N.O.R., 2026 (tese do O.I.N.O.R.)
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