Importante. este texto trata de violência sexual. Se você ou alguém que conhece passou por contato sexual durante um atendimento terapêutico, isso não é tratamento e não é culpa de quem o sofreu. Procure uma pessoa de confiança e o conselho profissional do atendimento, e, se houver risco imediato, os serviços de emergência da sua região.
Em uma fraseum terapeuta foi condenado por crimes sexuais cometidos sob a promessa de curar trauma, e a escalada gradual descrita no caso é um sinal de alerta reconhecível.
Uma mulher procurou a polícia em Sussex, na Inglaterra, em 2021. Ela contou que as sessões com um terapeuta foram se tornando, pouco a pouco, mais sexuais. Segundo o relato do jornal The Guardian, em reprodução que lemos em março de 2026, o homem afirmava que conseguia curar trauma com toques sexuais e sexo oral. Foi condenado por cinco crimes sexuais e recebeu pena de 11 anos de prisão, além de ordem para pagar cerca de 9,7 mil libras de indenização, valor que cobre o custo da terapia que a vítima precisou fazer depois. O juiz, de acordo com a matéria, observou que o Instituto de Bioenergética já o havia banido da atividade nos anos 1980, por abusos semelhantes.
Há três elementos nesse caso que importam para a análise. O primeiro é a promessa: o ato sexual apresentado como técnica de cura. O segundo é a escalada gradual, o oposto de um limite claro desde o início. O terceiro é a ausência de uma barreira que impedisse a reincidência, pois a punição de uma instituição privada nos anos 1980 não impediu que ele continuasse a atender. Os detalhes de datas do julgamento não constam na reprodução que lemos.
Um caso é um caso. Não permite dizer quantos terapeutas somáticos agem assim, e a imensa maioria dos profissionais da área não o faz.
A leitura do O.I.N.O.R.
A tese Além do Enquadramento Terapêutico não acusa uma categoria. Ela propõe uma hipótese estrutural: quando o método permite contato corporal íntimo, a explicação terapêutica passa a servir de justificativa para o que seria inaceitável em qualquer outro contexto. O caso britânico ilustra essa hipótese sem prová-la.
O que ele reforça, em compensação, é uma conclusão prática que não depende da hipótese: a promessa de cura por ato sexual é, em si, um sinal de alarme, venha de onde vier.
Nota de rigor. lemos uma reprodução de terceiros da matéria do *The Guardian*, e não a publicação original. As datas do julgamento não foram confirmadas.
Fontes
- The Guardian. Notícia sobre a condenação de terapeuta em Sussex, mar. 2026 (lida em reprodução de terceiros)
- Reich W. Character Analysis, 1945 (referência sem link)
- Bellato T. Beyond the Therapeutic Frame (tese do O.I.N.O.R.)
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