Início / Achados / Institucional
O Protocolo do Homem Falho

A abstenção de 2026 é a maior desde 1998: uma hipótese

Mais de 33 milhões de eleitores não votaram no primeiro turno. A tese O Protocolo do Homem Falho oferece uma hipótese da psicologia, sem tomar lado político.

IOPNO · Institucional · 30 de outubro de 2026

Em uma fraseno primeiro turno de 2026, 21 em cada 100 eleitores não foram votar, o maior índice desde 1998, e a abstenção sobe há vinte anos.

No primeiro turno das eleições de 4 de outubro de 2026, 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas, o equivalente a 21,08% do eleitorado. Segundo dados do TSE, foi o maior percentual em um primeiro turno de eleição geral desde 1998, quando a ausência chegou a 21,49%.

O número faz parte de uma tendência. A abstenção no primeiro turno vem subindo continuamente: 16,75% em 2006, 18,12% em 2010, 19,39% em 2014, 20,33% em 2018 e 20,95% em 2022. O segundo turno foi realizado em 25 de outubro.

Especialistas apontam explicações diversas, como polarização, desinteresse, dificuldade de deslocamento, envelhecimento do eleitorado e título irregular. Nenhuma, sozinha, explica uma curva que sobe há vinte anos.

A leitura do O.I.N.O.R.

Nossa tese se chama O Protocolo do Homem Falho, e uma de suas peças vem da psicologia experimental. Nos anos 1960, Martin Seligman e Steven Maier mostraram que animais expostos várias vezes a situações que não conseguiam controlar deixavam de tentar escapar, mesmo quando a saída passava a existir. O fenômeno ficou conhecido como desamparo aprendido.

Nossa hipótese é que algo parecido pode acontecer em escala social: quando a experiência acumulada de um cidadão ensina que sua ação não muda os resultados que o afetam, a participação tende a cair. É uma hipótese, não um diagnóstico de uma eleição específica, e não a atribuímos a nenhum lado político. A tese insiste que não há conspiração nisso: o desamparo pode surgir de sistemas que simplesmente não devolvem resposta a quem depende deles.

Nota de rigor. a abstenção tem várias causas e este texto não mede nenhuma delas. Os percentuais vêm da cobertura de imprensa sobre os dados do TSE.

Fontes

Mais sobre este tema