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O Protocolo do Homem Falho

Metade dos adultos brasileiros está inadimplente

A Serasa contou 83,9 milhões de inadimplentes em agosto de 2026, e 82 em cada 100 famílias têm dívidas. A tese pergunta de quem é a vergonha.

IOPNO · Institucional · 30 de outubro de 2026

Em uma fraseem agosto de 2026, 51 em cada 100 adultos brasileiros estavam inadimplentes, e a dívida virou parte da vida da maioria das famílias.

Em agosto de 2026, o Brasil chegou a 83,9 milhões de pessoas inadimplentes, segundo a Serasa, o equivalente a 51% da população adulta. Dez anos antes eram 59 milhões.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio, mostra o mesmo movimento por outro ângulo. Em agosto, 82 em cada 100 famílias tinham dívidas a vencer, o sétimo mês seguido em nível recorde. Quase 30 em cada 100 tinham contas em atraso.

O cartão de crédito aparece como principal tipo de dívida para a grande maioria. O endividamento é mais intenso entre as famílias de menor renda, mas também cresceu entre as de renda mais alta. Programas de renegociação, como o novo Desenrola, ainda não bastaram para reverter a tendência, segundo os dados da Peic.

A leitura do O.I.N.O.R.

Nossa tese, O Protocolo do Homem Falho, trata a dívida como uma das tecnologias de controle social mais antigas e eficientes. Ela se apoia no antropólogo David Graeber, que mostrou que a dívida é anterior ao dinheiro na história humana.

O ponto central é uma inversão moral. Na relação de dívida, quem carrega a vergonha é o devedor, e não o sistema. Uma situação produzida por juros altos, renda baixa e crédito fácil passa a ser vivida como fracasso pessoal. Essa vergonha, segundo a tese, produz o tipo de explicação que a psicologia associa ao desamparo: a culpa é minha, e não há saída.

A tese não nega a responsabilidade individual. Afirma que, quando metade dos adultos de um país está na mesma situação, a explicação já não pode ser só individual.

Nota de rigor. os números da Serasa e da Peic vêm de veículos que os reproduziram, e as duas pesquisas medem coisas diferentes (pessoas inadimplentes e famílias endividadas).

Fontes

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