Importante. esta matéria é informativa e não substitui avaliação de um profissional de saúde. Proteção solar e consulta ao dermatologista diante de pintas que mudam são recomendações independentes de qualquer discussão sobre a anomalia.
Em uma frasea diferença regional nos casos de câncer de pele no Brasil tem causas já conhecidas, e a tese sugere que a anomalia pode ser mais uma, sem teste que separe as explicações.
O INCA estima cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil entre 2026 e 2028, segundo reportagem de fevereiro de 2026. Excluindo o câncer de pele não melanoma, a média é de cerca de 518 mil por ano. O câncer de pele não melanoma é o mais frequente, com cerca de 263 mil casos por ano, mais de 30% dos diagnósticos. A reportagem não traz número de melanoma. A incidência é maior no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o que a matéria associa a maior acesso a diagnóstico. Outra reportagem sobre câncer de pele cita a radiação ultravioleta intensa do país, a pele mais clara em algumas regiões, hábitos de exposição ao sol e o aumento do diagnóstico como fatores.
A leitura do O.I.N.O.R.
A tese afirma que o Sul do Brasil registra as maiores taxas de mortalidade por melanoma, que isso coincide com as regiões de maior intensidade da anomalia e que a anomalia é uma covariável omitida. O resumo da tese fala em incidência de melanoma, enquanto o corpo do texto trata de mortalidade, e os dois são medidas diferentes.
A tese não afirma causalidade, e isso deve ser registrado. O problema é que qualquer variável que cresce com a latitude ou com a localização no sul acompanha o mesmo gradiente: ascendência, tipo de pele, exposição ao sol, acesso a diagnóstico. Um contorno geográfico da anomalia não separa essas causas. A pergunta testável é se, em dados por município, a intensidade do campo explica algo além do índice UV, do fototipo da população e do acesso ao diagnóstico. Sem esse ajuste, o gradiente é compatível com explicações já aceitas.
Nota de rigor. lemos duas reportagens e não o estudo de Mendes e colegas citado pela tese. Nenhuma das reportagens traz dados de melanoma.
Fontes
- Olhar Digital. Brasil pode ter 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028, 4 fev. 2026
- Uninter. O aumento do câncer de pele no Brasil e as regiões com mais casos
- Mendes GLQ, Koifman RJ, Koifman S. Mortality frequency and trends attributed to melanoma in Brazil from 1980 to 2005. Journal of Toxicology and Environmental Health A, 2010 (referência 23 da tese; não aberta)
- Bellato T. The South Atlantic Anomaly as Ontological, Ecological and Epidemiological Infrastructure. Preprint, 13 abr. 2026, Parte II (tese do O.I.N.O.R.)
Mais sobre este tema
Anomalia magnética do Atlântico Sul nasceu no Índico, diz estudo de 2026
Cerâmicas arqueológicas sul-americanas sugerem que o fenômeno é recorrente. A tese afirma que a estrutura atual não tem precedente limpo no registro.
ESA: a região magnética fraca cresceu quase meia Europa desde 2014
A agência descreve crescimento e mudança diferente perto da África, sem falar em saúde humana. A tese chama 22 mil nT de 44% abaixo de 50 mil, e a conta está errada.
Voo sobre a anomalia não achou radiação adicional a 13 km
O centro aeroespacial alemão mediu partículas e nêutrons em um A350 que cruzou a anomalia. O resultado contraria a ideia de exposição crônica no solo.