Em uma fraseum estudo da *PNAS* de maio de 2026 sugere, por cerâmicas antigas, que a região de campo magnético fraco sobre o Brasil é parte de um processo cíclico.
Segundo reportagem do Olhar Digital de 5 de maio de 2026, um estudo publicado na PNAS em 4 de maio analisou mais de 250 fragmentos de cerâmica arqueológica encontrados na América do Sul. Os minerais magnéticos da argila registram a intensidade do campo terrestre no momento da queima. Os pesquisadores obtiveram 41 novas medições e montaram um modelo global para os últimos dois mil anos. A conclusão, como relatada, é que a anomalia teria surgido no Oceano Índico por volta de 1100, migrado para oeste, atravessado a África e se instalado sobre a América do Sul. Uma anomalia semelhante teria percorrido o mesmo caminho entre os anos 1 e 850, o que indicaria um fenômeno recorrente.
A reportagem não nomeia os autores, e a data de 1100 é apresentada como estimativa. O texto afirma que o evento atual faz parte de um processo cíclico, sem inversão iminente dos polos, e não menciona efeitos à saúde. Em 2024, o tecnologista André Wiermann, do Observatório Nacional, disse que o processo é contínuo e "não afeta de forma significativa a vida das pessoas".
A leitura do O.I.N.O.R.
A tese de Talmo Bellato descreve a estrutura de duas áreas de campo fraco como algo sem precedente histórico limpo no registro observacional e argumenta que a urgência é temporal. O registro observacional direto, que a tese usa a partir de 1840, é curto. Um modelo arqueomagnético de dois mil anos muda a pergunta: o que parece inédito pode fazer parte de um ciclo.
Isso não refuta a tese. A anomalia pode ser recorrente e ainda assim estar crescendo agora, e seus efeitos sobre satélites são medidos. Mas o argumento de que a situação atual é excepcional por si mesma precisa dialogar com essa literatura.
Nota de rigor. lemos um resumo jornalístico do estudo e uma reportagem de 2024 com o Observatório Nacional. O artigo da *PNAS* deve ser lido antes de qualquer citação.
Fontes
- Olhar Digital. Anomalia magnética no Brasil surgiu no Oceano Índico há 900 anos, revela estudo, 5 mai. 2026
- Folha Vitória. Observatório Nacional monitora e diz que anomalia magnética não gera motivo para preocupação, 31 mai. 2024
- Bellato T. The South Atlantic Anomaly as Ontological, Ecological and Epidemiological Infrastructure. Preprint, 13 abr. 2026, Parte I (tese do O.I.N.O.R.)
Mais sobre este tema
ESA: a região magnética fraca cresceu quase meia Europa desde 2014
A agência descreve crescimento e mudança diferente perto da África, sem falar em saúde humana. A tese chama 22 mil nT de 44% abaixo de 50 mil, e a conta está errada.
Voo sobre a anomalia não achou radiação adicional a 13 km
O centro aeroespacial alemão mediu partículas e nêutrons em um A350 que cruzou a anomalia. O resultado contraria a ideia de exposição crônica no solo.
INCA estima 781 mil casos de câncer por ano até 2028
O gradiente do melanoma no Sul tem explicações conhecidas: radiação ultravioleta, tipo de pele e acesso a diagnóstico. A tese o compara com o contorno da anomalia.