Em uma fraseo evento de Laschamps é um enfraquecimento global do campo magnético, de ordem de grandeza muito diferente da anomalia atual, e as consequências propostas para ele são sugestões.
Segundo a Universidade de Utah, o estudo liderado por Alan Cooper na Science de 2021 datou o enfraquecimento e a reversão do campo no evento de Laschamps entre 42,4 e 41,5 mil anos atrás, com base em radiocarbono de uma árvore kauri antiga em Ngāwhā Springs, na Nova Zelândia, ligada a registros de cavernas, testemunhos de gelo e turfeiras. Nos cerca de 900 anos anteriores à reversão, o campo teria caído para "menos de 6%" do valor atual.
Os autores argumentaram que isso desencadeou mudanças climáticas globais, incluindo expansão de geleiras, e que a perda de ozônio teria elevado o UV a níveis perigosos. Sugeriram coincidência com os últimos neandertais da Europa ocidental e a megafauna do Pleistoceno da Austrália, e propuseram que a arte rupestre e o uso de ocre refletem abrigo contra o UV. O texto da Universidade apresenta essas ligações como sugestões, não como achados estabelecidos. Existe na literatura um comentário ao trabalho e uma resposta dos autores, cujos textos não abrimos.
A leitura do O.I.N.O.R.
A tese usa Laschamps como âncora metodológica, não analogia direta, e escreve que a anomalia é a expressão crônica, subliminar e regionalmente concentrada da mesma classe de fenômeno, no extremo persistente e de baixa intensidade de um espectro. Escreve também que há evidências que ligam o período a mudanças na química atmosférica e a possível estresse demográfico em neandertais.
A frase sobre neandertais transforma uma sugestão dos autores, que tem comentário crítico publicado, em evidência. A ideia de espectro é uma inferência da tese: em Laschamps o campo global caiu a menos de 6%, enquanto na anomalia o mínimo regional caiu cerca de 8% em 180 anos com o campo global ainda forte. São situações de ordens de grandeza diferentes, e a tese admite isso ao chamá-la de regional. Falta mostrar que a anomalia é o início de uma excursão, o que a tese descreve como interpretação de alguns pesquisadores, enquanto o estudo de 2026 sobre a origem da anomalia sugere recorrência cíclica.
Nota de rigor. lemos o texto da Universidade de Utah sobre o estudo, e não o artigo da *Science* nem o comentário e a resposta.
Fontes
- Universidade de Utah. Collapse of Earth's geomagnetic field 42,000 years ago (sobre Cooper et al., Science, 2021)
- Response to Comment on "A global environmental crisis 42,000 years ago" (título; texto não aberto)
- Bellato T. The South Atlantic Anomaly as Ontological, Ecological and Epidemiological Infrastructure. Preprint, 13 abr. 2026, Parte I (tese do O.I.N.O.R.)
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