Início / Achados / Planetário
Anomalia Magnética do Atlântico Sul

Laschamps: o campo magnético caiu abaixo de 6% por 900 anos

O estudo de 2021 propôs efeitos globais no clima, no ozônio e em populações humanas, como sugestões. A tese usa o evento como âncora metodológica para a anomalia atual.

IOPNO · Planetário · 30 de outubro de 2026

Em uma fraseo evento de Laschamps é um enfraquecimento global do campo magnético, de ordem de grandeza muito diferente da anomalia atual, e as consequências propostas para ele são sugestões.

Segundo a Universidade de Utah, o estudo liderado por Alan Cooper na Science de 2021 datou o enfraquecimento e a reversão do campo no evento de Laschamps entre 42,4 e 41,5 mil anos atrás, com base em radiocarbono de uma árvore kauri antiga em Ngāwhā Springs, na Nova Zelândia, ligada a registros de cavernas, testemunhos de gelo e turfeiras. Nos cerca de 900 anos anteriores à reversão, o campo teria caído para "menos de 6%" do valor atual.

Os autores argumentaram que isso desencadeou mudanças climáticas globais, incluindo expansão de geleiras, e que a perda de ozônio teria elevado o UV a níveis perigosos. Sugeriram coincidência com os últimos neandertais da Europa ocidental e a megafauna do Pleistoceno da Austrália, e propuseram que a arte rupestre e o uso de ocre refletem abrigo contra o UV. O texto da Universidade apresenta essas ligações como sugestões, não como achados estabelecidos. Existe na literatura um comentário ao trabalho e uma resposta dos autores, cujos textos não abrimos.

A leitura do O.I.N.O.R.

A tese usa Laschamps como âncora metodológica, não analogia direta, e escreve que a anomalia é a expressão crônica, subliminar e regionalmente concentrada da mesma classe de fenômeno, no extremo persistente e de baixa intensidade de um espectro. Escreve também que há evidências que ligam o período a mudanças na química atmosférica e a possível estresse demográfico em neandertais.

A frase sobre neandertais transforma uma sugestão dos autores, que tem comentário crítico publicado, em evidência. A ideia de espectro é uma inferência da tese: em Laschamps o campo global caiu a menos de 6%, enquanto na anomalia o mínimo regional caiu cerca de 8% em 180 anos com o campo global ainda forte. São situações de ordens de grandeza diferentes, e a tese admite isso ao chamá-la de regional. Falta mostrar que a anomalia é o início de uma excursão, o que a tese descreve como interpretação de alguns pesquisadores, enquanto o estudo de 2026 sobre a origem da anomalia sugere recorrência cíclica.

Nota de rigor. lemos o texto da Universidade de Utah sobre o estudo, e não o artigo da *Science* nem o comentário e a resposta.

Fontes

Mais sobre este tema